Voz Fina, Esganiçada e Alta, pode ser assimilada pela convivência

 

vozfina-assimilada-convivencia

Uma Vereadora do interior de São Paulo procurou o meu curso por apresentar a voz bem aguda, esganiçada e super alta. E o pior é que as suas assessoras e assessores acabaram com a convivência assimilando os mesmos problemas da voz e da fala da Vereadora, e o seu gabinete está com os decibéis bem acima do permitido para audição humana.

As pessoas costumam perguntar por que uma criança já fala alto na infância: a causa mais plausível é o ambiente em que ela vive – se todos na casa falam em altos brados, é bem provável que a criança que nela vive também falará bem alto. Outra causa comum é morar em lugares barulhentos.

O pior é quando junta o mimo com a voz alta – a tendência é ficar com a voz fina, esganiçada e insuportável de tão chata, incomoda muito a nossa audição.

Há algum tempo, fui convidado para dar um treinamento no telemarketing da Telelistas, que imprime o catalogo telefônico do Rio de Janeiro. O meu maior desafio foi alterar a voz de uma funcionária que berrava em altos brados ao telefone e incomodava muito os futuros clientes da empresa. A técnica que utilizei foi colocar um headphone nos seus ouvidos e, através de um microfone, fazer com que ela realizasse uma venda: ela entrou em pânico quando se ouviu simultaneamente através da via aérea, que é a parte externa da nossa audição, porque nós nos ouvimos mais pela via óssea, internamente – é por isso que quando ouvimos a nossa voz gravada achamos estranho, mas esta é a forma que as pessoas nos ouvem.

Em seguida, alterei a sua colocação da voz, baixando-a para um grave médio e sem muito volume – isso teria que ocorrer no máximo em 10 minutos, e ocorreu, porque naquele dia eu teria que alterar a colocação da voz de 160 funcionários de telemarketing. O treinamento se iniciou às 9 da manhã e encerrou às 2 da madrugada, e foi filmado em vídeo para uma auto avaliação dos participantes.

Já no curso completo, depois que altero a colocação da voz da pessoa, coloco-a nas aulas de oratória e argumentação sob pressão, onde o bate-boca esquenta, como nesse vídeo ao lado, em que um cirurgião plástico italiano pressiona a psicóloga, desfazendo da mesma, dizendo que ela é uma mulher-TPM: é lógico que ela desequilibra e explode, mas o ideal é a pessoa consiga ficar irônica e até debochada para irritar o provocador

Esse sistema que criei, da argumentação sob muita pressão (porradaterapia), tem como objetivo treinar a fala em situações de grande emoção e estresse, e manter o tom correto na hora da explosão, para a pessoa não ficar com a voz mais esganiçada de tanto berrar na hora dos debates acalorados.

Estou muito emocionado com o filme “O Discurso do Rei”, que está passando agora em fevereiro de 2011 e pode ganhar o Oscar. A história é que o rei era completamente gago e um terapeuta autodidata que revolucionou a fonoaudiologia na época tem a história da sua vida semelhante à da minha, porque sofri uma perseguição implacável dos colegas e dos conselhos de classe, porque não concordei com os métodos tradicionais e ultrapassados, das rolhas, chupetas e outras bugigangas. Assistam ao vídeo do vexame que a Fonoaudióloga Mara Belau, representante do Conselho de Fonoaudiologia de São Paulo, deu no Programa do Jô, tentando contestar o meu método. Comprem o meu livro, que vocês ficarão perplexos com a semelhança das histórias do terapeuta do filme e a saga da minha luta para impor a evolução científica da profissão.