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Timidez e Inibições Regionais

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Os inibidos e os timidos de cada cidade apresentam um diferencial

Atender pacientes de vários localidades diferentes é muito interessante.

No Rio de janeiro, o carioca devido a proximidade com a praia, o tempo todo já domina mais a argumentação sob pressão na aula de oratória em grupo. Apesar da sua timidez para falar em público ser acentuada, a melhora é mais rápida, o ambiente da cidade é bem mais leve, mais solto e mais descontraído.

Já o pessoal de Campinas e cidades em torno como Hortolândia, Valinhos, entre outras, que tem uma criação mais fechada do interior, demoram mais tempo de terapia para se soltarem e perderem a timidez – até para decidirem me telefonar para marcar a consulta de avaliação levam séculos!

É muito comum o machismo no interior, a mãe comparece na primeira consulta de avaliação com a filha ou com o filho; quando chega em casa vai falar com o marido e ele sempre dá o contra, chega a fazer um comentário absurdo, que é melhor o filho ou filha continuarem com problema na fala ou com a timidez, e que ele não vai fazer este investimento na melhora psicólogica dos seus filhos: “é melhor comprar mais um carrão e alguns bois”. Que horror!

Em São Paulo, Capital, as pessoas são muito sérias, mais rápidas e mais dinâmicas, mas têm muito interesse em se descontraírem por que eles percebem que o mercado está exigindo muito o Cara-de-Pau e o Coringa. Hoje, numa empresa, a pessoa tem que atuar em todas as áreas; venda, negociação, palestras ,além da sua área profissional.

Na minha filial de São Paulo, o maior perfil são executivos e executivas que chegaram num patamar profissional que não dá para ficar fugindo das apresentações em público. A fuga até o presente momento foi ficar torturando o pobre do acessor exigindo o tempo todo que apresente os trabalhos do chefe.

Estou citando o pobre do acessor porque, no meu curso, o que já apareceu destes elementos com problemas no coração, intestino, gastrite, insônia, taquicardia, depressão, etc., é um reflexo do stress que os inibidos passam ao serem obrigados à exposição em público.

Eu sempre aconselho aos executivos e às executivas que façam uma entrevista prévia com os assistentes ou acessores com relação ao grau de timidez dos mesmos, para não matá-los de tanta ansiedade que causa num ser humano falar em público, principalmente para os que têm fobial social nesta área da comunicação oral.

Qual seria a solução para estas pessoas?

Só tem uma: a terapia comportamental do enfrentamento que é o objetivo do sistema que implantei – o da argumentação sob pressão e da desinibição.

Outro perfil de tímidos que comparecem no meu curso são os estudantes universitarios que estão chegando no momento da dinâmica de grupo para estagiar e até ser efetivados em novos empregos: o vexame é total, dá um branco na hora e não sai nada. Quem é o culpado? Lógico que são os mestres e os pais que insistiram na repressão e até na falta de diálogo, outros mimaram excessivamente os seus filhos ou também reprimiram os mesmos.

No Rio de Janeiro, eu possuo duas filiais: uma em Copacabana e outra na Barra da Tijuca. O perfil dos participantes de cada bairro é muito diferente. Os jovens da Barra foram criados em condomínios fechados e não tiveram a liberdade dos moradores da Zona Sul – Copacabana, Ipanema ,Leblon, Flamengo, Botafogo, etc. Na Barra, é muito complicado para se locomover – parece muito com Brasília, não tem esquinas, há pistas enormes para atravessar, e alguns jovens são tão travados que morrem de medo de frequentarem a filial de Copabana. Tem alguns que comentam que não sabem se deslocar para a Zona Sul e morrem de medo.

Às vezes convido-os para frequentarem as duas filiais com o objetivo de acelerar o processo de cura da timidez e dos problemas da fala, mas os filhinhos mimadinhos da Barra não têm coragem de sair do Bairro onde vivem. Já os alunos da Zona Sul são mais soltos, muito mais independentes: imagine você poder frequentar todas as praias andando a pé, o comércio de rua, os bares, discotecas, etc. É bem mais fácil.

Um outro perfil de participantes são os da Zona Norte e da Baixada Fluminense. A criação nestes locais também é bem mais fechada, quando eles têm que enfrentar a argumentação sob pressão durante as aulas de oratória, o esforço é muito grande. Desde criança a pessoa fica recebendo orientações de bons compartamentos exagerados, respeitar a hierarquia dos superiores, mesmo que eles estejam errados, não contestar ninguem, criança não se mete em conversa de adulto, etc. Quando essa pessoa encara a realidade cruel do mercado de trabalho e o aambiente hostil que o mesmo proporciona, além da realidade dos conflitos familiares numa fase mais adulta, percebe que o vencedor nunca pode ser o babaquinha que os familiares mais próximos e os mestres moldaram erroneamente.

É muito comum vários participantes em pânico recorrerem ao meu curso porque terão que realizar uma prova oral de concursos públicos na área jurídica, que, no momento, o maior desafio é enfrentar a argumentação sob pressão da banca examinadora. É duro passar nas provas discursivas e ser eliminado na oral só por causa da infeliz da timidez. O ideal é fazer como o Guilherme Penâ de Moraes, que, no Rio de Janeiro, é muito conhecido no ramo do Direito: ele é professor de Direito Constitucional e Já passou em vários concursos públicos, e, hoje, é promotor de justiça e dirije o curso CEPAD, preparatório para concursos nesta área: quando cursava a faculdade de Direito, ele veio me procurar por que apresentava uma fobia enorme para falar em público e uma gagueira muito acentuada, e, hoje, ele é considerado um dos melhores professores da área juridica.

Lembro-me que, um dia, fui procurado por 60 participantes de um concurso para delegado, que chegaram até a prova oral e, quando mostrei a imagem do Guilherme na época em que ele iniciou o meu curso e o tratamento, eles ficaram perplexos com a evolução da comunicação oral e da desinibiçao do mesmo, e ainda comentaram como foram uns idiotas e não fizeram um curso desses durante a faculdade já pensando no futuro.