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O orador brigão que não aceitava ser contestado

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O mercado de trabalho está cada vez mais exigente no que tange às respostas mais imediatas na comunicação oral. As pessoas para se sobressaírem estão agredindo emocionalmente com palavras duras os mais fracos, principalmente os tímidos.

No programa “O Aprendiz”, por exemplo, onde Roberto Justus atuava sob muita pressão com os convidados, percebeu-se que vários participantes não possuíam estrutura emocional para tanta pressão. Mas de quem é a culpa? Como dizem os psicólogos: “sempre é dos pais”, porque eles não possuem esclarecimento suficiente e ficam protegendo os filhos com mimo e super proteção; eles crescem com uma falta de segurança para enfrentar situações adversas e de pressão. Inclusive, como cito no artigo voz fina, às vezes, a pessoa fica com a voz infantilizada, não transmitindo segurança aos interlocutores.

Como já é de conhecimento de todos, no curso de oratória, os alunos veteranos provocam os novatos, mas tem momentos que os alunos novos captam rapidamente o sistema e também passam a provocar os veteranos.

No curso, há um advogado renomado que possui um escritório especializado em Direito Internacional. Ele tem uma cultura geral fantástica, mas é comum ele encontrar frequentadores do curso com o conhecimento igual ou superior ao dele. Numa aula, um economista iniciou um debate com este advogado, e, no decorrer do mesmo, ele falou para que ele calasse a boca porque ele só tinha informações furadas. A sorte é que eu estava no final da sala ao lado do advogado, que tinha o pavio curto, tanto que, quando era contrariado, queria partir para a briga. Inclusive, ele jogou os óculos em cima da mesa. Aí, eu, como mediador, comentei que aqui era aula de oratória falada, e não porrada. O erro do economista foi que ele era muito vaidoso e gostava de trazer a esposa para se mostrar enquanto falava no palco, fato que não aprovo no meu curso, pois, com o apoio dela, ele ficava mais seguro. Na hora em que a situação pegou fogo, a esposa ficou trêmula. O interessante é que eu fiquei acalmando o advogado, e o economista continuou falando no palco. No final da aula, o advogado caiu em si e ficou arrasado com a sua atitude, comentando que já perdeu alguns clientes por esquentar demais em situações em que é contrariado. No dia seguinte, pediu-me o telefone do economista para se desculpar, mas ele era tão vaidoso que nem quis ouvir a retratação do advogado, que era muito fechado e tímido. Hoje, após quatro anos de curso, ele está dando um show, mas sempre está sendo testado.

Numa aula recente, ele enfrentou um aluno que é cantor lírico, e é formado em História e Filosofia. O advogado e o cantor começaram a discutir sobre religiões e povos antigos. O cantor, que também não tem paciência, chamou o advogado três vezes de imbecil. O pior é que era véspera de ano novo e, na platéia, estavam o filho, o irmão e a cunhada do advogado, mas, por incrível que pareça, o advogado ficava o tempo todo acalmando o cantor, comentando que ele estava nervoso, que daquela forma ele perderia a razão. Ficamos todos perplexos com esta nova imagem light do advogado. Há dois anos, ele matriculou o seu filho de 8 anos no curso de oratória porque ele achava fundamental o filho não passar pelas mesmas dificuldades de inibição dele. O menino frequentou o curso durante dois anos continuamente e fez o comentário que ele não era mais tímido, porque estava conseguindo se aproximar das garotas do colégio e todos riram na sala.

Eu comentei que não era interessante a presença de familiares no curso, mas o que deu certo até o momento é pai, filho e irmãos frequentarem o curso. Só não deu certo marido e esposa, namorado e namorada, pois eles aproveitam a aula para se agredirem com fatos pessoais.

Naquele dia em que compareceram os parentes do advogado, era uma aula festiva de final de ano, mas como a arena dos leões não respeita nada, acabou acontecendo o debate acalorado. O último teste do advogado foi em março de 2007, quando ele enfrentou um advogado que no concurso para procurador, e ficou em primeiro lugar na prova oral – com o staff de advogados famosos do curso, fica fácil treinar para as provas orais dos concursos públicos na área jurídica.

É muito comum os estudantes de Direito frequentarem o meu curso de oratória para treinar os pontos que serão argüidos na prova oral dos concursos públicos que prestam. Este treinamento é muito interessante porque eles ficam afiados na argumentação sob pressão, pois nessas provas a pressão da banca examinadora é enorme. Muitos juízes, promotores e defensores públicos já passaram pelo meu curso. E muitos continuam mesmo depois de aprovados.

Além deste advogado do concurso, havia outra advogada tributarista/comercial e uma professora universitária. A dupla provocou o aluno veterano: aquele advogado que era estressado e estava mais controlado se desequilibrou. As duas duvidaram do mestrado que ele havia feito nos Estados Unidos. A pressão foi tanta que ele voltou a surtar, falando em altos brados, com um descontrole emocional gritante.

Isso revela o quão importante é a manutenção do treinamento, que é possível com o sistema de Clube de Oratória que criei, pois o aluno veterano, após o término da sua carga horária estipulada, fica livre para se reciclar sem ônus adicionais. Desta forma, ele pode exercitar constantemente as suas atividades profissionais e intelectuais de apresentações em público, pois possuímos todos os equipamentos de áudio-visual, como projetor multi-mídia, tela, microfones, DVD-player, retroprojetor, vídeo, auditório, palco etc.