O dono da VOZ, da fala, da argumentação…

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CLáUDIA AMORIM

Fonte: Revista Oi
Edição № 24 (Vozes), Agosto/Setembro de 2006

“Voz, fala, inibição, argumentação sob pressão”. Há décadas a voz inconfundível de Simon Wajntraub pronuncia essas palavras em seus também inconfundíveis anúncios. A imagem, assim como a voz, é grave, muito grave, mas basta um papo rápido com o fonoaudiólogo para se surpreender: simpático e com senso de humor privilegiado, o carioca Simon, rebelde entre os doutores da voz, não dispensa polêmicas, nem piadas. Heterodoxo até o último fio de cabelo pretíssimo – “Digo que tomo banho de Wellaton: cabelo, barba, pentelho, tudo” –, volta e meia se vê envolvido em discussões com associações e conselhos de fonoaudiólogos pelo país afora.

Aos 56 anos, trabalha com a voz dos outros desde 1968, acha que existe solução para praticamente todos os problemas de fala e que certos métodos da fonoaudiologia ortodoxa poderiam ser mais eficientes. Os otorrinolaringologistas, conta, se espantam com os bons resultados que consegue, mas seus clientes, ironicamente, não fazem propaganda boca-a-boca.

“O cara não gosta de dizer que tinha algum problema, que falava fino…, argumenta. Daí o hábito de anunciar, tão criticado pela mulher, Angela. “Ela é pão-dura, reclama porque continuo gastando com propaganda”, diz Simon, que viveu um caso raro de amor à primeira audição: bastou ouvir a voz grave de Angela ao telefone para se apaixonar.

E olha que ele estava passando um trote para ela, a pedido de sua namorada na época, amiga de sua mulher. “Dei um jeito de brigar com essa menina com quem estava e no dia seguinte estava na casa da Angela. Em um mês fomos morar juntos”. Tiveram sete filhos, num casamento que já dura 30 anos muito bem falados – e vividos.