Gagueira Infantil

Se o seu filho está com problemas na comunicação, traga-o e faça uma avaliação diagnóstica. Quanto mais cedo diagnosticada, maiores as chances de cura da gagueira infantil.

No mês de julho de 2012, fui procurado por pais de duas crianças que apresentavam uma gagueira infantil severa: uma menina de dois e um menino de três anos.

O caso da menina é muito interessante porque os pais presenciaram o momento que desencadeou a gagueira: nasceu uma irmãzinha, o que incomodou primogênita, que teve ciúmes e chegava a cutucar a avó com força quando pegava a irmã no colo.

Os pais comentaram que, numa determinada noite, ela dormiu na cama deles e se debatia muito dormindo, o que se sucedeu pela noite inteira: ela foi dormir falando normalmente e acordou muito gaga. Eu expliquei que eles deveriam ter intercedido, procurando acalmá-la, retirando-a deste pesadelo, mas eles achavam que o correto é não interromper o sono dela: isso é falta de experiência e até de orientação do médico pediatra sobre esse assunto.

Essa família recorreu ao meu consultório porque a quase totalidade dos profissionais da minha área acham que devem deixar a criança gaguejando, que isso pode ser passageiro.

Provavelmente, eu sou o único que contesto essa prática, pois já atuo com comunicação oral há quase cinco décadas – comecei em 1968. O que eu vi na maioria dos casos de gagueiras severas na primeira infância foi que um grande grupo fixou o problema em definitivo, principalmente por causa do bullying que sofreram, sendo zombados pelos coleguinhas do colégio, do clube, da rua em que moram, de parentes próximos.

Sobre as causas mais comuns que desencadeiam a gagueira: um grande grupo assimila com a convivência com parentes e amigos próximos que apresentam esta dificuldade na fala, outro grupo apresenta a gagueira por traumas emocionais muito fortes, às vezes até um susto pode desencadear este problema na comunicação oral – tem pessoas que adoram brincar dando sustos em crianças.

Lembro-me de um menino de 10 anos que era muito gago, e eu corrigi a sua dificuldade na fala. Um dia, o pai deu um tapa muito forte na mãe na presença do menino, e ele se trancou no quarto por algumas horas. Quando saiu, voltou a gaguejar como antes, o que demonstra que devemos criar um ambiente psicológico bem tranquilo para os nossos filhos.

Conheço famílias que só vivem em conflito nos seus lares. Para a criança, é um inferno conviver nessa guerra, seria melhor que estas crianças vivessem em educandários como antigamente, que os pais deixavam de segunda a sexta no colégio interno e só no final de semana tinham contato com os filhos, existiam até os que a criança ficava direto, e só nas férias encontravam com os familiares.

O que tem de pai e mãe separados que vivem no mesmo lar é incontável. Tem pai dormindo no sofá da sala e a mãe no quarto de casal, tem mães dormindo no quarto de empregada e o pai no quarto do casal, é um bando de covardes que não tem coragem de dar um grito de independência, e só passam insegurança para os seus filhos, deixando sequelas psicológicas quase irreversíveis.

Voltando ao começo do texto, falarei sobre o menino de três anos, que tinha uma gagueira acentuada: por trás de um gago sempre tem pais ansiosos e inseguros. O impressionante é que os pais do menino são médicos, mas a mãe é estresse puro: como ela presencia situações pesadas com crianças nos hospitais em que trabalha, como maus tratos, abusos sexuais, etc., fica morrendo de medo de expor o seu filho para a sociedade. O menino com três anos ainda não frequentou creche e nem escola tradicional, ela até diminui o ritmo de trabalho para ficar sufocando o filho 24 horas por dia, só passando insegurança para o mesmo.

Quando ela recorreu ao meu consultório com o seu filho, já estava no nono mês de gravidez e na semana seguinte nasceu o segundo filho. Com esse grude todo com o filho, ele ficou perturbado com a gravidez da mãe, desencadeando uma gagueira muito forte.

A mãe desse menino também estava ensinando coisas muito avançadas para idade da criança, letras, números, quase alfabetizando e dando noções básicas de matemática. Tem crianças que aguentam o tranco, outras não, até o bilinguismo pode desencadear a gagueira. No nosso cérebro, tudo tem um tempo certo. Já vi muitas mães reclamando que na primeira infância o filho era um gênio, decorava até o hino nacional, mas quando chegou ao colégio começou a empacar no aprendizado: é porque houve uma sobrecarga para o desenvolvimento cerebral, e o excesso de informação na primeira infância pode causar gagueira também.

Vocês, mães e pais, não conseguem entender que os nossos filhos foram enviados por Deus para revolucionar o mundo, e não para mostrar aos parentes e amigos que eles são bonitinhos e bem comportadinhos, ou para serem superprotegidos para não passarem por problemas emocionais mais fortes. Que pena que vocês esquecem o duro que deram para alcançarem o sucesso pessoal e profissional. Lembram daquele planinho Collor que destruiu varias famílias financeiramente? E os famosos três zeros que tiravam toda hora da nossa economia conturbada antes do Plano Real? Que pena que os seus pais não tinham muito tempo para mimá-los, como vocês fazem com os filhos atualmente, dando roupas de marca, carrão, viagens para o exterior, etc. Alguns até se endividam para agradar os sonhos de consumo dos filhos.

“Que absurdo! Quem é esse cara que fica se metendo na vida dos outros, dando palpites que incomodam muito as pessoas, mandando enfrentarem a realidade da vida?!”

Com um pouco mais de descontração, e sem muita pressão psicológica com as pessoas mais próximas, esse cara sou eu, que tem sete filhos do mesmo casamento. Aqui no site vocês encontram a minha biografia.

A minha orientação final no caso da gagueira infantil é que, se a mesma estiver muito acentuada, os pais devem corrigir a fala desta criança exigindo que ela fale sem muita repetição das palavras, e procurar eliminar os cacoetes que ela utiliza para impulsionar a fala, porque se eles não fizerem isso, algumas pessoas próximas irão ridicularizar esta criança, agravando a gagueira infantil.

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