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Alguns Casos de Gagueira

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Podemos encontrar numa família certo número de gagos entre parentes próximos ou entre gerações afastadas.

Qual seria a característica genética que poderia influenciar várias pessoas de uma mesma família a apresentarem essa deficiência na fala?

O que consegui detectar foi que alguns, com a convivência e pela imitação, assimilaram a gagueira; outros, por um excesso de sensibilidade emocional, abriram a guarda para que ocorresse esse bloqueio na fala.

Lembro-me de dois irmãos gêmeos que adquiriram a gagueira através de um susto aos cinco anos de idade, quando se depararam com uma pessoa fantasiada de vaquinha. Outro caso é o de um menino que, ao ler na sala de aula em voz alta no primário, gaguejou de emoção, e aí os colegas debocharam dele, chamando-o de gaguinho, e ele realmente assumiu esse personagem, ficando completamente gago.

Às vezes, numa família, o pai é gago, e entre vários filhos apenas um passa a gaguejar. Concluí que esse tipo de filho tem uma adoração muito forte pelo pai; inclusive, se uma pessoa fizer uma crítica ao seu pai, ele fica tenso, e percebe-se que ele transformou o pai numa espécie de super-herói.

É muito comum encontrarmos pessoas gagas criadas em famílias onde o regime de educação é autoritário, com muita repressão, falta de diálogo e cobrança constante.

É impressionante quando, numa família, várias pessoas são portadoras dessa deficiência: todos totalmente inseguros; às vezes, depressivos, acomodados, submissos, a tal ponto que, quando realizam o tratamento fonoaudiológico baseado em meu método – que tem um efeito de correção a curto prazo – reclamam que não estão gostando da cura da gagueira porque eles estão perdendo o ganho emocional do “pobre coitado que era gago e de quem todo mundo morria de pena” (”coitadinho, o fulano é gago!“).

Alguns chegam ao absurdo de tentar negociar a gagueira para ela permanecer em algumas situações, como o caso de um filho único cujos pais morriam de pena dele porque era gago, e fizeram promessas para tudo que era santo com o objetivo de alcançarem o milagre da cura da gagueira do filho. Ele se sentia frágil, dependente e covarde a tal ponto que o seu pai fez o seguinte comentário: “engraçado… o meu filho, quando está em casa perto da mãe, muda o tom da voz, tornando-a infantilizada e gaguejando. Entretanto, quando chega a ambientes sociais perto dos amigos, ele assume a técnica e fala forte, grave, e não gagueja nada!”

Outro dia, estava eu realizando a terapia fonoaudiológica com um rapaz muito gago e que já havia melhorado cerca de 70% a sua gagueira. De repente, ele me aparece muito gago e todo inseguro, comentando que, naquele dia, ele havia apresentado um trabalho em inglês oralmente num curso e que, devido a esse pânico, a gagueira havia retornado. Mas bastaram cinco minutos de sessão para ele retornar ao tom certo, passando a falar normalmente.

Os piores momentos do gago acontecem quando ele sofre do mal de hierarquia: com subalternos ele fala um pouco melhor, mas com superiores, a falta de segurança aflora e surge a gagueira.

Eu, Simon Wajntraub, fico perplexo quando um ser humano se desvaloriza, atribuindo a outros seres poderes imaginários. Acontece que essas pessoas, tão admiradas (ou temidas), apesar de alcançarem cargos hierárquicos superiores, também sofrem de várias inseguranças. É muito comum recorrerem ao meu curso de oratória executivos, governantes, gerentes, gerenciadores de BPM, militares de alta patente, diretores de estatais e multinacionais, entre outros, com excesso de inibição.

Quem é você, portador de gagueira, para julgar outros seres, transformando-os em superiores, tornando você cada vez mais submisso e incapaz? Saia desse casulo e parta para a briga, porque só vence quem não tem medo de arriscar! E quando não der totalmente certo, pelo menos você tentou. Erga a sua cabeça e fale firme, ou chegue com uma luz acesa e saia dessa obscuridade!

O gago na maioria das vezes em que canta não gagueja porque é muito raro o comando da área musical no cérebro estar afetado. Entretanto, já encontrei vários gagos que até cantando gaguejavam. Estou citando esse fato porque já tratei de pacientes gagos que realizaram terapias sem fundamentos científicos que consistiam em falar cantando. Chegaram falando arrastado, e foi complicado retirar esse sistema implantado que acabou por se tornar um cacoete.

Existem gagos que são tão inseguros que até na escrita têm problemas, não conseguindo de forma alguma escrever em público. Se alguma pessoa, em especial, estiver olhando, dá um tremendo bloqueio. Poderíamos dizer que esse é um tipo de gago que está gaguejando na escrita.

O meu método de tratamento é o de choque, pois eu não concordo em ficar paparicando o paciente. Durante o tratamento, numa segunda etapa, o paciente participa das aulas de oratória em grupo, que representam o dia-a-dia da pessoa, e nas quais simulamos situações reais de debates, palestras, reuniões, aulas, eventos, seminários e até peças de teatro na platéia. Os participantes veteranos são os provocadores, debatendo, instigando, reclamando – exercitando, enfim, a argumentação sob pressão. Todas as aulas são filmadas em vídeo para uma auto-avaliação constante. Para o gago, particularmente, é fundamental essa filmagem para ele corrigir e eliminar os famosos tiques nervosos que cria para impulsionar a fala, e, como esse recurso não funciona, ele sempre inventa um novo (conheci um rapaz que, de tanto contrair o pescoço enquanto gaguejava, ficou com sérios danos na coluna.).

Já conheci vários familiares que ouviram falar que, dando um susto no gago ou batendo com uma colher-de-pau na sua cabeça (!), ele ficaria curado. É mais comum encontrar gagos enfartados e de cabeça quebrada do que curados por causa dessa crendice popular.

Existe uma gagueira funcional aos três anos de idade que, por excesso de informação na área da fala, provoca esse bloqueio, mas é certo que não se devem transmitir conhecimentos que não se coadunam com a idade da criança para não sobrecarregar o cérebro – como por exemplo, pedir à criança para decorar versos, aprender uma série de idiomas, fazer contas, etc. Algumas crianças – uma minoria – às vezes até sobressaem, mas, na sua maioria, quando chegam à idade escolar, também por causa dos constantes “shows” que a família impõe que o filho faça na frente dos parentes e amigos no início da infância, exigindo-lhes coisas mirabolantes, acabam ficando bloqueadas com essa sobrecarga e passam a apresentar sérias dificuldades de aprendizagem.

Outro item que causa gagueira é o ciúme , que surge quando nasce um irmão e a criança perde a atenção que lhe era exclusivamente dispensada. A atenção passa também a ser dirigida para o caçula, e a criança, numa tentativa de reavê-la só para si, começa a gaguejar. O importante é o pai se dedicar mais ao filho mais velho, e a mãe, ao caçula, para que a criança não sinta tanto essa divisão de atenções. O importante da gagueira é exigir firmeza da criança (”fala forte igual ao papai!”). Não adianta disfarçar que ela não é gaga, porque os amiguinhos vão debochar e enfatizar o problema. (epa! daria para escrever um livro só sobre a gagueira!!).

Vou dar uma orientação importantíssima: no momento de um trauma, um susto, um acidente, uma briga, não exija que a pessoa fale, porque nesse momento poderá iniciar-se uma gagueira.

Não perturbe o gago com a respiração, porque isso não tem fundamento (Procedimento do tipo “fala devagar, respira”). Ele apenas vai gaguejar mais devagar. Já tratei de vários atletas gagos, inclusive campeões de natação… como é que vão ensinar essas pessoas a respirar?

OUTRA COISA RIDÍCULA QUE COSTUMAM DIZER AO GAGO É QUE ELE NÃO TEM RITMO. ISSO É UMA INCOERÊNCIA! JÁ TRATEI DE TRÊS BATERISTAS GAGOS! IMAGINEM SÓ, ENSINAR RITMO A BATERISTA…

O gago adora sonhar e mentir. Eu já encontrei vários que culpavam a gagueira pelos seus insucessos, como aquele que abandonou várias faculdades porque era gago, parou de estudar porque era gago, não namora porque é gago, não se dá bem profissionalmente porque gagueja, etc. Tudo mentira! apenas arrumaram esse amuleto ou essa desculpa para não enfrentarem as adversidades da vida.

Alguns gagos chegam a ser tão caras-de-pau que chegam a beber álcool culpando a gagueira, porque, segundo eles, quando bebem, falam melhor. Mentira!!! eles ficam tão desligados que nem percebem que estão gaguejando! Existem outros que afirmam “com mu-u-u-ulher eu não gaguejo”, querendo demonstrar que a gagueira não afetou a sexualidade – outro blefe. A gagueira acontece em contatos com todo mundo, exceto com animais, e, às vezes, quando os gagos estão sozinhos falando com crianças, simplesmente porque nessas situações não serão cobrados ou exigidos.

Um teste em que demonstro os medos do gago é o mascaramento, quando inibo a audição do paciente com uma freqüência musical e exijo que ele fale sobre um tema ou leia um texto ao mesmo tempo. Quando implanto esse sistema, ele perde o medo e fala fluentemente, sem bloqueios, restando às vezes apenas os cacoetes. No momento que abaixo a música e ele volta a se ouvir, entra em pânico e começa a gaguejar; volto a inibir a sua audição, e ele novamente perde o medo de si próprio, toma coragem e fala sem gaguejar.

Será que a gagueira é orgânica ou emocional? Bem, só fazendo um clone de um gago bem problemático e criá-lo num ambiente com mais carinho, mais atenção, menos repressão e mais diálogo para ver se ele também vai gaguejar. Quem sabe, num dia bem próximo, poderemos realizar essa experiência: “clone de um gago”?

No meu consultório, é muito comum as crianças, de repente, devido ao trauma da separação dos pais, apresentarem a gagueira, e não só crianças como também adolescentes. eu acho incrível quando várias crianças comentam que prefeririam ver o pai e a mãe brigando a vê-los separados. Portanto, é importante negociar muito uma separação para não causar esses traumas. Não tome atitudes repentinas! Mesmo que você sofra um pouco, é melhor que traumatizar uma criança ou um adolescente.

Existem os gagos inibidos e os extrovertidos que não estão nem ligando se vão incomodar ou não as outras pessoas. Esses últimos são até brincalhões, fazendo gozações com a própria gagueira, mas a maioria – em torno de 95% – é inibida: disfarçam, fogem, se esquivam, dão a vez até para os concorrentes.

Outro blefe, nas terapias de gagueira, é utilizar a hipnose, prometendo cura total numa só sessão. Já atendi vários pacientes que ficaram totalmente frustrados com essas terapias, chegando até a piorar, iludidos com falsas promessas.

Com a minha vasta experiência, já tratei de mais de três mil casos só de gagueira, inclusive de pacientes que tentavam terapias em outros países e ficaram frustrados porque os métodos utilizados eram os mesmos das rolhas, pedras, respiração, relaxamento, etc., sem resultados práticos. Eu possuo um arquivo em vídeo só de gagueira com casos que curei ou que tiveram uma melhora acentuada, muitos dos quais exibo em palestras ou em consultas – com o consentimento dos pacientes envolvidos, é claro.

O maior entrave ao meu tratamento é a mudança da energia. Imagine aquele gago que falava para dentro ou às vezes nem falava. E, de repente, já após a primeira consulta, muda o posicionamento da voz, falando com mais desenvoltura e sem gaguejar. É uma pancada: todos ficam debochando da nova maneira de falar do ex-gago, e os concorrentes ficam apavorados porque, além de ter deixado de ser gago, ele passa, agora, a se apresentar com mais energia.

O que eu aconselho é convidar algumas pessoas do seu convívio a assistirem a algumas consultas e, então, passarem a cobrar a técnica.

O que mais me irrita é ver as emissoras de tv insistindo em apresentar personagens gagos, incentivando a criança a imitá-los e influenciando as mais sensíveis emocionalmente a assimilarem o problema. Já tratei, a propósito, de muitas crianças cujas babás lhes transmitiram sua gagueira pela convivência.

Outro pavor do gago é de falar ao telefone porque, por incapacidade da eletrônica, os novos telefones transmitem a nossa voz para a parte que está no ouvido, e o gago, quando se ouve, entra em pânico. Essa tecnologia, especificamente, é muito perigosa, porque quem trabalha o dia inteiro falando ao telefone apresenta uma perda auditiva após algum tempo. o ideal é utilizar o viva-voz até o dia em que as indústrias de telefone neutralizarem o retorno da nossa própria voz.

Para terminar o tema da gagueira, vamos falar de fatos pitorescos que aconteceram com os meus pacientes gagos, já que a pior coisa para um gago é encontrar outro no seu caminho, porque ele pode achar que é um deboche ou uma imitação:

Um dia, por exemplo, um gago foi multado por um guarda que também apresentava o mesmo problema. O guarda dirigiu-se a ele: “os seus do-do-cu-mentos.” o outro respondeu: “es-pe-pera que eu vo-vou pe-pegar”. O guarda retirou a arma da cintura e comentou: “o senhor está pre-preso por de-sa-ca-ca-to à au-to-to-ridade”! A sorte é que o seu irmão o estava acompanhando e comentou: “ele é gago”. Aí, o guarda disse “vai-vai em-bo-bora”.

Outro paciente foi visitar o seu pai numa fazenda e encontrou um peão com um ancinho para retirar as folhas do chão. Ambos eram muito gagos, e quando o peão perguntou o que ele queria e ele também respondeu gaguejando, eu sei que rolaram uma ribanceira, o peão com o ancinho na mão, tentando acertá-lo. A sorte é que o seu pai viu a cena, deu um grito e ambos relevaram a situação, mas o peão ficou olhando de cara feia o rapaz durante todo o período em que ele passou na fazenda do pai.

O tratamento de gagueira requer um número de consultas que estipulo no primeiro atendimento.

Costumo acompanhar o paciente durante três anos, paralelamente ao uso dos cd´s para exercitarem em casa e às aulas de oratória em grupo, para que ele perca de vez a inibição. Costumo também realizar consultas individuais tanto pessoalmente quanto por telefone, MSN ou Skipe, sobretudo quando a pessoa mora fora do município do Rio de Janeiro ou em outros países.

Já tratei de vários gagos que não tinham condições de se deslocarem para o Rio, pelo telefone, fitas de vídeo com as suas imagens atuando enviadas pelo correio e os 6 (seis) CD’S com a minha voz gravada para eles exercitarem em sua cidade, e posso assegurar que o resultado foi incrível.

Falando ainda de gagos, existem alguns que, quando lêem, não gaguejam, porque a leitura já abrange outras áreas do cérebro. existem também pessoas que ficaram gagas com medo da mudança na voz na puberdade, por isso o pai deve orientar o filho para essa mudança com a finalidade de ele não se assustar futuramente.

Um dos cacoetes mais incríveis do gago é ele alterar totalmente a linguagem no que tange à articulação fonética. por exemplo, a pronúncia da letra c, com o som de /k/, é realizada nos alvéolos e no palato mole, na parte superior da garganta; o “gue” e o “rr” também são pronunciados dessa forma. esses fonemas só podem ser pronunciados com a boca aberta, e o gago cisma em trincá-la, inclusive pressionando os lábios, fato que só pode ocorrer nas bilabiais p/b/m. nas lInguodentais, (l/t/n/d) também é comum o gago prender os lábios, não dando espaço para pronunciar corretamente esses fonemas.

Outro fato comum é o gago, na hora de emitir um fonema, travar o órgão fonador, como, por exemplo, no ta –te –ti – to – tu. ao emitir o /t/, a língua fica presa atrás dos incisivos superiores, não dando espaço para se emitirem as vogais. o fundamental é movimentar, em frações de segundos, a emissão das consoantes e, rapidamente, abrir a boca para emitir as vogais. Nos cds de dicção que compõem o método, eu implanto todos os fonemas, apresentando palavras com os mesmos para o paciente exercitá-los constantemente em casa.

Um problema que pode causar dificuldades na dicção são as deficiências da língua. Existem pessoas que possuem a língua mais espessa e a arcada dentária estreita. eu realizo um trabalho paralelo com ortodontistas, que vão corrigir a arcada dentária, enquanto eu, o fonoaudiólogo, vou exercitar a língua, e até a maneira de deglutir será corrigida (leia o título: “deglutição atípica”).

O gago, devido aos cacoetes, consegue deformar todos os órgãos fonadores. só com muita filmagem e auto-avaliação constante são eliminados esses tiques nervosos. (no item de APARELHOS ELETRÔNICOS que desenvolvi, leia “aparelho para corrigir a forma e a força da musculatura da língua”).

Não esqueço quando um futuro paciente me ligou comentando que tinha um problema na fala, gaguejando intensamente. aí, eu, com a objetividade que me é peculiar, disse: você é gago”. ele, assustado, perguntou “eu sou ga-ga-go? respondi: “muito gago”. ele pediu-me um tempo e largou o telefone para chorar. quando retornou, disse-me: “eu já freqüentei psicólogos, psicanalistas, fonoaudiólogos e nunca ninguém intitulou-me de gago”. Aí, eu enfatizei: “mas você é gago!” e ele, imediatamente, concordou e realizou o tratamento através do meu método, com resultados fantásticos. detalhe: essa pessoa tinha 40 anos de idade.

As pessoas costumam comentar que eu me divirto ao telefone provocando os futuros pacientes, mas não é bem assim, na verdade eu sou realista ao extremo, pois hoje, com essa competição desenfreada, não dá para se ficar submisso. Às vezes, ligam homens com voz fina e os chamo de “senhora”; mulheres com voz grossa, e as chamo de “senhor”. Já identifiquei várias pessoas que apresentavam baixa auditiva pela dicção ao telefone, assim como outras que projetavam A língua no / s/ e no / z/ (sigmatismo frontal ou lateral) e outros problemas. As pessoas ficam assustadíssimas, comentando: “Ué, você não me conhece! parece adivinho!!!… “também, desde 1968 atuando nessa área, mais uns dez atuando na locução e na imitação!

No item “imitação”, especificamente, uma professora que tive no primário informou-me que eu já imitava a sua voz, nessa época, e ela morria de rir, já que a imitação era perfeita.

Cada dia fico mais perplexo com o comportamento dos seres humanos em lidar com as suas deficiências, principalmente no caso da gagueira. Estão comparecendo no meu curso vários gagos que chegam ao absurdo de omitir o problema até com os seus familiares, ninguém pode tocar no assunto.

Dois casos recentes que surgiram em setembro de 2004, foram de um engenheiro eletrônico, que era casado e possuía três filhos, tinha uma gagueira muito acentuada, e quando eu indaguei como este tema era comentado na sua casa, este engenheiro durante a gravação em vídeo iniciou uma crise de choro fazendo o seguinte comentário: Deus que me livre Simon se os meus filhos tocarem nesse assunto, ai eu perguntei, e a sua esposa? Ele continuou a chorar comentando que ela também nunca havia falado sobre a sua gagueira. Com a minha bagagem e vivência nesta área, onde trabalho desde 1968, fiz o seguinte relato: os seus filhos assistiram a minha entrevista no programa do Jô Soares e forneceram o meu site para a sua esposa, mas ela não teve coragem de entrega-lo porque esse assunto é um tabu na sua família. Quando ele chegou em casa, comentou com a esposa e ela confirmou que a sua filha havia fornecido o meu site após o Jô, mas realmente ela não encontrou clima para apresentar ou abordar esse tema.

Outro caso foi de um advogado que varias vezes ligou para pedir informações, e quando eu atendia o telefone ele desligava, morrendo de medo de tocar no assunto da gagueira, até que um dia conheci um parente dele numa transação de publicidade, e este comentou a respeito do advogado que era muito gago. Quando o advogado soube da minha aproximação com o seu parente entrou em contato com o mesmo perguntando a meu respeito, o seu parente foi curto e grosso, ´´você é gago´´, o advogado ficou mudo no telefone por instantes e quando ele compareceu no meu consultório, comentou que foi a primeira pessoa na vida que havia tocado nesse assunto. Quanta hipocrisia, como a pessoa pode viver num ambiente familiar com esta falta de interação psicológica, de tocar nos assuntos que envolvem problemas emocionais.

Uma característica que é muito comum no gago, é a super proteção, filhos e filhas criados com excesso de mimo e zelo, chegando com isso os pais a sufocarem os mesmos. É muito comum aparecerem no meu curso adultos com a idade em torno de trinta anos, que sofreram uma pressão dos pais, e continua como por exemplo, o filho vai numa festa e os pais ficam ligando de hora em hora, para saber se esta tudo bem, é um absurdo. Eu não sou contra os filhos numa fase mais adulta morarem com os pais, o importante é cria-los com mais liberdade, pois os pais já tem consciência da educação que foi dada aos mesmos.

Eu fiz um levantamento recentemente com trinta casos de gagueira numa faixa etária de 15 anos aos 40 anos de idade, e quase todos são muito sufocados pela criação da super proteção (mimo excessivo) e vigilância constante dos pais.

Um paciente de São Paulo (que trabalha com ISO 9001) ao realizar a primeira consulta de avaliação, comentou que não se achava gago, ai eu retruquei ´´você é muito gago´´, ele insistiu dizendo que não era muito gago, ao assistir o vídeo de auto avaliação, ficou chocado com o seu alto grau de gagueira e principalmente com os tiques nervosos de fazer uma série de caretas ao gaguejar. No dia seguinte comentou que ligou para sua mãe em Porto Alegre, informando-a que iria realizar o tratamento, a mesma com a sua super proteção comentou que ele não era gago, que absurdo! O incrível desta história é que ele tinha 36 anos e era um executivo, ligar para a mãe, porque! O mais interessante é que ele não falou primeiro com a sua esposa e sim com a sua mãe. Quando dei um toque neste tema ele morreu de rir porque no dia anterior, negou que foi mimado pelos pais.

O caso mais recente e engraçado que esta ocorrendo em São Paulo, é de uma paciente que é psicanalista e odeia gagos, mas ela também é gaga. A sua presença na aula de oratória em grupo, esta irritando os pacientes que apresentam o problema. Para o meu método esta sendo fantástico, porque todos estão se controlando para não gaguejar perante ela. Ela comenta que um dia uma rapaz muito gago interessou-se por ela, mas quando ela percebeu o seu problema na fala, fez de tudo para afastar-se do mesmo. Inclusive quando este deu-lhe um beijo, ela comenta que ficou com nojo, foi lavar o rosto rapidamente.

Além da gagueira esta paciente apresentava troca de letras, falando tatibitati e entortava a boca na emissão dos fonemas (s) e (z), ela já havia realizado alguns tratamentos fonoaudiológicos,e ficou perplexa ao ver sua imagem no vídeo, como os outros profissionais não detectaram estas deficiências na fala. A história psicológica desta psicanalista de como iniciou a sua gagueira é muito interessante, o seu avô e um tio eram muito gagos, a sua mãe pedia para ela levar as coisas para estes parentes porque eles admiravam e achavam engraçado a maneira que ela falava, principalmente no que tange a gagueira, eles se realizavam porque ela apresentava o mesmo problema na fala. Que absurdo! Que falta de orientação dos pais, por este motivo ela tem tanto trauma com a sua gagueira e com os outros gagos. A sua melhora já no início do tratamento foi fantástica, todos os seus amigos estão perplexos com a sua evolução na fala e o mais incrível é que ela tem que conviver com outros pacientes no meu curso que são ´´mimadinhos do papai e da mamãe´´e que adoram ser gagos para serem paparicados, e não tem coragem de mudar para melhorar. Inclusive não exercitam constantemente com os cd´s em casa e não assumem a técnica no seu dia a dia. Está sendo um desafio para esta psicanalista, mas ao mesmo tempo esta sendo muito útil a sua presença na terapia, porque ela cobra constantemente estes pacientes para levarem a sério o tratamento.

Quando eu posiciono o tom vocal num ponto certo em que no comando cerebral a fala flui normalmente, a pessoa passa a falar sem nenhuma dificuldade, principalmente na gagueira e na voz fina. Eu brinco muito com as mulheres que a partir de agora, quando tiverem orgasmo soltarão um ai!ai!ai! bem mais grave e não farão ai!ai!ai! com aquela voz esganiçada, e as vezes estridente e infantil, chegando a incomodar o parceiro. Algumas pacientes na aula de oratória em grupo, quando brinco com este tema elas dão a maior força, comentando que estão dando um show e que os seus parceiros ficaram mais apaixonados com este novo tom mais grave, outras têm um bloqueio sexual tão intenso que Deus que livre de abordarem este tema em público. Estou relatando este fato porque a psicanalista ao ser indagada sobre o seu tom da voz durante o ato sexual, ela ficou paralisada com os olhos arregalados, pasmem! E fez o seguinte comentário: Simon, o último namorado que tive era enorme, quando nos estávamos transando eu externei o meu prazer sexual que estava sentindo através de gemidos, o tom da minha voz saiu tão agudo e estridente que o rapaz perguntou-me se ele estava me machucando e eu pedi que ele prosseguisse que estava muito bom.

Essa psicanalista é um sucesso no meu curso, porque ela entendeu o mecanismo metodológico. Acontece de algumas pessoa no início do tratamento ficarem assustadas com a pressão tanto da minha parte, quanto da platéia na aula de oratória em grupo, fazendo com que elas coloquem para fora os seus sentimentos, os seus traumas e as suas vivencias. Como disse um psicanalista e um psiquiatra que freqüentaram o meu curso: “você criou a terapia do palco”, o paciente sob pressão em dez minutos conta toda a sua vida e os seus problemas emocionais que os afligem e eu levo as vezes dez anos para fazer eles colocarem tudo para fora. O psicanalista até comentou que iria escrever um livro sobre a terapia do palco.

Principalmente os gagos, que são mais fragilizados, quando resolvem se abrir contando as atitudes que tomam na vida devido ao bloqueio da fala, como por exemplo ter relações sexuais só com prostitutas, evitarem ter uma aproximação maior com garotas, porque no dia seguinte terão que enfrentar a realidade da famosa pergunta tradicional: ´´você é gago´´? Outros também comentam para o grupo que largaram a faculdade ou pararam de estudar devido à gagueira. Aí todos se rebelam, comentando que existem vários gagos profissionais liberais bem sucedidos, a minha pressão ainda é maior, falo que jamais eles gostaram de estudar, é pura chantagem com os familiares. E na maioria das vezes eles concordam que estou certo.

Alguns pacientes se chocam com esta velocidade da terapia, mas o máximo que acontece é eles se ausentarem temporariamente e após retornarem aos poucos porque o sistema administrativo do orçamento, da uma liberdade de pesquisa.

 

Neste momento, abril de 2007, que estou tecendo novos comentários a respeito da gagueira, o relógio que conta a quantidade de pessoas que visitam o meu site já ultrapassou o número de 170.000 (cento e setenta mil) acessos. Os itens mais acessados são: oratória, ligado a inibição, gagueira e fonoaudiologia, abrangendo todos os problemas da voz e da fala. No link gagueira a vibração dos portadores dessa deficiência na fala é enorme, pois eles ficam encantados com a descrição técnica, científica e objetiva do tema no meu site. Todos ao ligarem comentam: “Simon, assisti os vídeos e li tudo, fiquei impressionado porque dei de cara com a realidade do meu problema!”. Alguns acham muito interessante a coincidência dos nomes que se repetem no caso da gagueira, inclusive recentemente apareceu o nome Washington numa quantidade maior no meu fichário.

Quem trabalha em pesquisa constantemente não consegue sossegar e nem ficar acomodado, pois estamos sempre procurando atualizar os conceitos e os resultados práticos. Já atuo nessa área desde 1968 e jamais defini um paciente como um caso semelhante a outro; a personalidade das pessoas, as atitudes, o conteúdo e o estimulo emocional na criação dos indivíduos intercedem na vontade de mudança.

Já citei em pareceres anteriores dos falsos benefícios de ser gago, mas volto a insistir nesse tema, porque novos pacientes que estão em tratamento no meu sistema de trabalho relutam em assumir a mudança de deixarem de serem gagos, chegando a comentar que é uma perda emocional muito grande e que já fazia parte das suas vidas esta deficiência na fala. Inclusive eles já eram reconhecidos pela dificuldade, até tinham apelidos, de gago, gaguinho, roda presa, etc. Como de repente eles apareceriam sem a gagueira, falando fluentemente?

Aqueles que utilizam o problema para não estudar ou até trabalhar relutam mais em aceitar a mudança positiva. Eles fazem um jogo emocional com os familiares, culpando os seus fracassos devido à gagueira, mas por varias vezes indaguei estes pacientes de como era sua vida estudantil no passado e sempre eles eram maus alunos e muito preguiçosos.

O primeiro impacto durante a consulta inicial é jogar pesado mostrando vários ex-pacientes que apesar da gagueira eram pessoas bem sucedidas, médicos, engenheiros, advogados, empresários, políticos, executivos, etc. A grande maioria casou e constituiu família.

A partir desta demonstração através de imagens reais, eu pressiono este novo paciente e ele acaba confessando que realmente utiliza a gagueira para ser paparicado, tanto pelos familiares quanto pelos amigos mais íntimos. Eles adoram esse sentimento de pena que irradia das pessoas ao seu redor. Quando eles iniciam o tratamento através do meu método jogo uma grande responsabilidade na participação deles, pois eles devem treinar com os CD’s em casa e também devem assumir a nova colocação da voz e a articulação fonética para falarem fluentemente. Alguns chegam ao cúmulo de comentarem que não podem treinar com os CD’s porque vão incomodar os seus familiares em casa. Já outros, pensam positivo e estão a fim de uma mudança total nas suas vidas: não só treinam com os CD’s como também convidam os seus familiares e amigos para lhes assistirem durante o treinamento. E isso os ajuda muito, porque o gago num ambiente em que ele está sozinho, é comum não gaguejar.