Simon Wajntraub,
Fonoaudiólogo e Professor de Oratória
O atraso da linguagem na criança pode se dar por motivos orgânicos ou emocionais. Os motivos orgânicos mais comuns são: baixa auditiva, problemas neurológicos e visuais. De qualquer forma, 99% dos casos que tratei eram de origem emocional, sendo o mais comum o trauma oriundo da separação dos pais, que afeta muito a criança, atrapalhando sua comunicação oral. Como exemplo bem claro, já atendi crianças que falavam normalmente aos 2 anos de idade, e, aos 3, após a separação do pais, não conseguiam mais falar.
Junte-se a todos esses fatores a questão da família moderna, na qual ambos os pais trabalham fora o dia inteiro e são obrigados a deixar a criança em condições muito pobres para o pleno desenvolvimento de sua fala e comunicação. Nesse processo, identifico dois problemas muito comuns e igualmente sérios: a televisão e a entrega das crianças aos cuidados de babás.
No caso da televisão, a criança fica entretida com seus programas prediletos e não tem qualquer estímulo para se comunicar com terceiros, pernanecendo completamente estática. Como um somador negativo, podemos ainda verificar programas infantis que possuem personagens com deficiências graves na fala, como gagos, fanhos e os que trocam letras.
Outra situação é a das crianças que são criadas por babás, que apresentam, em geral, problemas sérios de comunicação. Esses problemas são transmitidos para as crianças com muita facilidade. Já pude verificar casos em que a criança assimilou igualmente problemas de gagueira e troca de letra dos pais, que apresentavam normalmente essas deficiências.
Existe ainda outro problema, cada vez mais comum, em que crianças com idade relativamente avançada apresentam atraso na linguagem. Nesses casos, o mais tradicional é encontrar a falta de estímulo dos familiares para que essas crianças se comuniquem corretamente ao longo do seu desenvolvimento.

É muito comum as crianças que apresentam dificuldades na comunicação, já dos dois anos e meio em diante, como atraso na linguagem, troca de fonemas etc., tornarem-se agressivas com as outras crianças do seu convívio na escola, na rua, em casa.
Devido a toda essa informação inútil que é passada pelos programas de televisão, nas novelas, em que as pessoas não se respeitam ou até ficam caçoando do problema alheio, as crianças, quando encontram algo diferente do normal no seu coleguinha, partem para a gozação e chegam a faltar com respeito. O perigoso é quando, de tanto imitarem o problema do colega, acabam assimilando a dificuldade na fala dos colegas. Isso é muito comum com a gagueira: muitas crianças e até adultos assimilaram esse problema imitando os colegas e até debochando constantemente deles.
Eu já contei a história de uma professora de jardim de infância que era gaga, e as mães me ligaram preocupadas e pediram que eu falasse com a diretora para alertá-la sobre o risco desta turma assimilar a gagueira da mestra. O mais pitoresco foi que a dona do colégio era mãe da professora e não se conformava com a reinvindicação das mães. Pressionei bastante para que, pelo menos, ela procurasse um tratamento para a gagueira da sua filha.
Outra coisa muito ruim são os personagens que colocam em novelas, programas humorísticos, desenhos animados e até comerciais: eu já retirei do ar alguns comerciais que colocavam personagens imitando gagos, sendo o principal o das casas Pernambucanas, na década de 1990; na Globo também teve uma novela, Rainha da Sucata, na qual Antônio Fagundes ficou seis meses fazendo um personagem bem gago: muitos adolescentes recorreram à minha clínica com gagueira, lembrando que assimilaram imitando este personagem na infância; tem também um desenho animado de um porquinho gago.
A minha orientação para os pais quando os filhos apresentarem dificuldades na comunicação oral é que iniciem o tratamento o mais rápido possível, mas tomem muito cuidado com as terapias implantadas: os pais têm o direito de acompanhar o atendimento dos filhos no consultório do fonoaudiólogo – já ocorreram fatos assustadores, de profissionais que dormiam durante o atendimento e deixavam a criança brincando com jogos, outra chamou a manicure para fazer as unhas enquanto atendia a criança…
O sistema que utilizo é muito bom: filmar o tempo todo em vídeo a consulta e, depois, editar uma cópia em DVD para os familiares e a criança acompanharem o progresso na terapia.
Finalizando, o meu conselho é o seguinte: o seu filho não é agressivo, ele está agressivo temporariamente devido às suas dificuldades na comunicação, ele só será agressivo definitivamente se ele viver num ambiente de muita hostilidade ou se for estimulado com brincadeiras brutas: lógico que por hereditariedade pode ocorrer casos com síndromes que alteram o humor e o comportamento, mas são muito raros.
Desenvolvi um método prático e bem atualizado utilizando recursos audiovisuais com gravações especiais, com temas do dia-a-dia, detalhado as atividades rotineiras do paciente num dia útil e no fim-de-semana. Por meio de um fundo musical, faço uma narração e exijo que a criança repita frases e palavras da sua própria história. Nessa gravação, faço também uma interpretação cômica de muitas coisas que leio, fazendo com que o paciente mirim se divirta ao mesmo tempo em que está se exercitando.
Chego, inclusive, a incluir nas músicas sons que não fazem parte delas, como, por exemplo: na música da galinha magricela, que bota ovo sem parar, eu insiro uns cacarejos durante a música, e a criança, espantada, chega a querer saber por que na gravação dela não tem os cacarejos, e na minha tem.
É impressionante como o resultado desse procedimento é altamente positivo a curto prazo, porque mantém um estímulo contínuo da área da fala no cérebro.
Nas terapias tradicionais, em que a criança é levada a um consultório para um atendimento que dura, em média, 50 minutos, e o fonoaudiólogo luta para prender a atenção dela durante uns 40 minutos com joguinhos bobos e brincadeiras ultrapassadas, esquecendo-se de que as crianças de hoje em dia só querem saber de computadores, videogames, o resultado é praticamente nulo. E para os pais que residem em cidades grandes, onde os engarrafamentos são enervantes, a frustração é maior ainda quando eles não vêem o resultado esperado.
Esse sistema que desenvolvi com gravações especiais funciona da seguinte forma: inicialmente, eu filmo a criança para guardar a sua imagem e avaliar posteriormente o seu progresso na terapia, comparando-o com essa primeira imagem. A primeira gravação do CD/DVD, para a criança exercitar em casa, é para um período de dois meses, e o objetivo principal desse tempo é de uma adaptação da criança ao método. Após os dois meses, passo a fazer novas gravações de mês em mês com novos temas e novas músicas.
Inicialmente, conto uma história com todos os detalhes sobre o dia-a-dia da criança, desde a hora em que ela acorda até a hora em que vai dormir, assim como o que ela costuma fazer nos finais de semana. Após essa história, leio frases sobre a criança e peço a ela que as repita, dando-lhe a impressão de que estou ao seu lado, dizendo coisas como: “Ih, não entendi! Repita outra vez: “EU ACORDO ÀS SETE HORAS DA MANHÔ. Quando chamo o seu nome, ponho eco na minha voz (ex.: “MARIANAAAA, PRESTA ATENÇÃO! REPETE COMIGOOOO!”), e a criança fica entusiasmada, chegando até a querer mostrar a todos os amiguinhos e parentes “o CD que o tio Simon fez”.
No último item do CD, dou palavras para a criança repetir. As consultas ao vivo só são realizadas a cada troca de CD, mas se a família do paciente morar longe do Rio de Janeiro, todo esse trabalho pode ser feito pela Internet.
O mais importante é que a minha consulta leva em torno de duas horas, as atividades no decorrer da mesma são bem atrativas, eu estimulo constantemente o cérebro na área da fala da criança só através da comunicação oral, nada de jogos bobos, brincadeiras ultrapassadas, caderninhos, o importante é que eu mantenho uma conversação continua durante as duas horas através de gravações em víde em que a criança se ouve e se vê intermitantemente, e também utilizo programas de computador com respostas orais já pré-gravadas etc. Além das consultas, a criança mantém o treinamento em casa com a gravação especial em todos o ambientes e atividades, no banho, nas refeições, no carro, na cama…
Realizo esse trabalho em vídeo para crianças com baixa auditiva ou surdez total, enviando a minha equipe de filmagem para registrar as atividades da criança, como acordar, ir ao colégio, almoçar, etc. A partir dessa base com as imagens das atividades da criança no seu dia a dia, incluo a narração da mesma forma do CD de áudio que citei a cima, só que aparece a minha articulação fonética em close para criança entender como ocorre o movimento dos órgãos da fala para emitir cada som. Com isso, evito a acomodação de vários pais em insitirem só no método libras – que é a leitura através dos movimentos dos dedos e das mãos –, achando que o surdo é para ser mudo eternamente, fato que não é verdadeiro.
Méurcio era uma criança que residia em Angola e apresentava um atraso severo na sua fala. Através de recomendações, sua mãe deslocou-se para o Rio de Janeiro com a finalidade de realizar o tratamento do seu filho com o meu método.
O Méurcio era uma criança negra com o físico muito desenvolvido para a sua idade, e apresentava a força física de um adulto.
Em Angola, os médicos diagnosticaram a deficiência na fala do Méurcio totalmente sem fundamentos, alegando que ele apresentava uma baixa auditiva e queriam operar desnecessariamente os ouvidos. A sua mãe relutou e trouxe-o para o Brasil, pois estava com pressentimento de que o parecer médico não tinha fundamento. Outra barbaridade ao chegar ao Brasil: os médicos cismaram que ele estava com problema na adenóide, e insistiram tanto que os pais consentiram que ele fizesse a cirurgia, a qual não era necessária, pois o menino respirava bem e não roncava.
Iniciei o tratamento com uma carga horária intensiva diretamente na sua fala. Nada de jogos e brincadeiras bobas. Utilizei muito a filmagem e o microfone, além do computador, estimulando constantemente a área da fala no cérebro. Chegamos a ficar três horas por dia. O Méurcio estava com muita dificuldade na alimentação porque sua mãe dava muito sanduíche. Além do tratamento na parte da manhã conosco, ele freqüentava um colégio na parte da tarde, e lá almoçava no colégio. Quando estava perto das outras crianças ele almoçava rapidamente. Ao percebermos esse fato, passamos a dar o almoço normalmente. A poderosa chefona, a super mãe Angela, minha esposa, que já havia educado os nossos sete filhos, passou a alimentá-lo. No início necessitou de um pouco de energia.
A família do Méurcio estava numa depressão incrível, morrendo de medo de ele não falar nunca mais. A proposta mais incrível dos pais dele, devido a ele ter se ambientado com a minha família e com as minhas duas filhas fonoaudiólogas, Laila e Elka foi a seguinte: queriam que o Méurcio ficasse morando na sua casa por um período de no mínimo dois meses.
Todos ficaram perplexos, mas como eu sou cientista, não poderia perder uma oportunidade dessa. A minha pesquisa consiste em retirar a criança de um ambiente em que a comunicação dos familiares é restrita, metódica e às vezes um pouco melancólica e colocá-la num ambiente oposto, onde todos se comunicam constantemente – e a alegria, a felicidade e a liberdade fazem parte da família Wajntraub.
A mãe do Méurcio retornou para Angola e nós assumimos essa responsabilidade total. Quando falo nós, somos meus sete filhos, eu e a minha esposa. Todos estimularam constantemente e intensivamente a fala do Méurcio.
Ninguém lhe entregava nada se ele não falasse o que ele queria, até um copo d’água. Os pais cometem esse erro bárbaro de castrar a comunicação do filho dando tudo o que a criança quer sem o menor esforço, é só ela apontar, e lá vai o pai ou a mãe sem preparo pegar as coisas para o filho, tolhendo a sua comunicação oral. Se a criança chorar, então os pais desabam, fazem mais ainda a vontade do filho, depois ficam julgando que ele está com um atraso tão grande, que parece que não compreende nada. É lógico: a falta de estímulo para a criança ficar independente é tão grande que ela fica completamente boba.
Chega de dar lição de moral aos pais incompetentes, quero continuar falando sobre o caso do Méurcio de Angola. Essa experiência foi fantástica. Na parte da manhã, ele ficava exercitando a sua fala: só para vocês terem uma idéia, no café da manhã éramos eu, Laila, Elka, Enzo, Igor, a minha esposa… todos “enchendo o saco” dele, exigindo a sua fala constantemente. À noite, quem cuidava dele na hora de dormir era a Angela, a super mãe.
Um detalhe interessante é que nos fins de semana as minhas filhas saiam com os namorados, e eu e a minha esposa levávamos ele nas nossas atividades de fim de semana, restaurantes, festas etc. Era muito engraçado quando as minhas filhas ou a minha esposa andavam com ele na rua, todos morriam de curiosidade se era filho e quem era o pai.
O Méurcio era muito tímido socialmente, chegava perto das pessoas estranhas e ficava mudo. A sua mãe era bem fechada também.
Um mês depois, o seu pai veio visitá-lo e chegou sem avisar, num domingo em que estava acontecendo uma festa de aniversário em minha casa. O menino estava numa alegria incrível; o pai, fechado, até um pouco autoritário, pois ele é militar em Angola, naquele momento, por incrível que pareça, ele começa a olhar os dentes, o corpo, a cabeça do menino para ver se estava tudo perfeito. Eu comentei que ele estava sendo muito bem tratado. Após essa auditoria física, o pai começa a querer interferir no tratamento insistindo para o menino freqüentar uma psicóloga. Eu indaguei: Como? Se ele não fala quase nada? Perto do pai… aí que ele ficou totalmente calado.
No dia seguinte fiz uma gravação mostrando o Méurcio na parte da manhã, com todas as atividades. À noite, ao mostrar o vídeo para o seu pai, o menino disparou a falar sobre o que ele estava vendo: “Olha o Méurcio comendo pão!”; “Olha o Méurcio tomando banho!”; “Olha o Méurcio no computador!”; Etc.
O pai se calou e ficou perplexo com a melhora, mas insistiu em colocá-lo na psicóloga, fato que ocorreu… Só que a psicóloga ficou falando muito na mãe e na irmã dele e acabou encucando o garoto… Daí em diante na hora de dormir ele comentava “tia Pancha, bebê”… E eu não entendia. Até que o pai falou que tia Pancha era a sua mãe e bebê era a sua irmãzinha de 1 ano. Depois, os pais resolveram tirar da psicóloga.
No final do segundo mês a sua mãe aparece do nada às 9 horas da manhã, numa segunda-feira com o bebê, sem falar nada. Estávamos acordando naquela hora porque havíamos realizado uma super festa de aniversário da Angela no dia anterior.
O Méurcio dormia na sala, e, ao abrir a porta e ver a sua mãe e sua irmã, ficou perplexo e foi com elas para um hotel, onde, ao abrir a janela, fez o seguinte comentário: “Ih! Vai chover o céu está fechado, o sol foi embora!”. A mãe chorou de emoção
Depois, ela ficou mais um tempo no Brasil, foi embora sem se despedir, e voltou só em dezembro, de surpresa. Para variar, nos pegou desprevinidos. Ao abrirmos a porta, ficamos espantados com a presença do Méurcio, da sua mãe e do bebê que já estava com dois anos e falando tudo, porque o Méurcio com a sua fala estimulou muito a comunicação dela.
A mãe do Méurcio o trouxe para fazer uma reciclagem, pois o menino estava falando bem, mas o S e o Z estava saindo pela lateral – sigmatismo lateral.
Méurcio era um pouco agressivo e apertei bastante nesse ponto, onde mostrava para ele o tempo todo que ele tinha que ser um ser social e saber conviver com outras pessoas. Às vezes, ele me jogava algum objeto, eu revidava fingindo que ia jogar em cima dele. Ele era muito bruto com os movimentos, segurava as suas mãos como se estivesse freando os movimentos bruscos, ele ficava irado, porque ele não conseguia se desvencilhar da minha força. Até que ele foi entendendo que tinha que obedecer e ser bem comportado, mudou da água para o vinho.
Quem ficou muito triste, quando ele voltou para Angola foi a mãe temporária, a minha esposa a Angela, que ficou muito apegada a ele e ele a ela. Conclusão: não julgue a capacidade mental de uma criança só porque ela tem um atraso na fala. Muitos pais chegam a afirmar que acham que o filho tem um retardo ou é autista, e não se esforçam em estimular continuamente a área da fala no cérebro do mesmo, além dos diagnósticos médicos completamente sem sentido, como vocês viram no caso deste menino de Angola.
O Instituto de Oratória e Fonoaudiologia Simon Wajntraub é especializado no tratamento dos distúrbios da voz (voz rouca – disfonia, voz trêmula, falhando e presa, voz fina, voz grave, voz afeminada, voz baixa, voz alta, voz anasalada – fanhos, mudança de voz para transexuais, etc.), problemas da fala (atraso de linguagem da criança – afasia infantil –, baixa auditiva, má dicção, dislalia, fala acelerada e fala lenta, afasia – perda da fala –, gagueira, etc.) e dificuldades de comunicação (timidez e inibição, fobia social, oratória, dislexia, disgrafia, etc.).
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